domingo, outubro 09, 2005

45 Coisas Boas e um Asterisco

Podem dizer "que básico!" em tom de desaprovação e resmungar que o post não vale nada... Podem nem sequer ler o post até ao fim por acharem uma xaxada e porque também vocês já receberam um irritante mail em cadeia destes. Podem até não comentar.


Não quero saber.

Faço o post na mesma com algumas alterações ao mail que a raquel pimenta me mandou, com adições pessoais e também com censuras para as frases que simplesmente não valiam a pena. Para os que contrariarem as minhas previsões de reacção ao post, desejo uma boa leitura. Ficam assim a conhecer momentos da minha vida fora de contexto.

1. Apaixonar-se.

2. Rir tanto até que as faces doam.

3. Rir baixinho.

4. Rir alto até chorar.

5. Rir-se de si mesmo.

6. Rir de uma memória

7. Rir por nenhuma razão especial.

8. Ver o sorriso e ouvir as gargalhadas dos amigos.

9. Um chuveiro quente.

10. Um olhar especial.

11. Receber correio.

12. Conduzir numa estrada linda.

13. Ouvir a nossa música preferida no rádio e exagerar nos berros.

14. Ficar na cama a ouvir a chuva cair lá fora.

15. Encontrar a camisola que se quer em saldo a metade do preço.

16. Casal Garcia com uma sapateira à beira mar.

17. Uma chamada de longa distância.

18. Um banho de espuma.

19. Uma boa conversa.

20. A praia.

21. Encontrar uma nota de 20 euros no casaco pendurado desde o último inverno.

22. Chamadas à meia noite que duram horas.

23. Correr entre os jactos de água de uma fonte da água em Castelo Branco.

24. Alguem que te diz que és o máximo..

25. Amigos.

26. Ouvir acidentalmente alguem dizer bem de nós.

27. Acordar e verificar que ainda há algumas horas para continuar a dormir.

28. Fazer novos amigos ou passar o tempo com os velhos.

29. Brincar com um cão.

30. Haver alguem a mexer-te no cabelo.

31. Belos sonhos.

32. Chocolate quente.

33. Fazer-se à estrada com amigos.

34. Passar a véspera de Natal a escrever postais aos amigos. Postais! Não mails!

35. Copiar as letras de canções em papel para podermos cantá-las e nos sentirmos estúpidos.

36. Ir a um bom concerto.

37. Trocar um olhar com um belo desconhecido.

38. Ganhar um jogo renhido.

39. Receber de amigos uma sobremesa caseira para o jantar.

40. Passar tempo com amigos íntimos. .

41. Andar de mão dada com quem gostamos.

42. Encontrar por acaso um velho amigo e ver que algumas coisas (boas ou más) nunca mudam.

43. Observar o contentamento de alguem que está a abrir um presente que lhe ofereceste.

44. Ver o nascer do sol e o pôr do sol. No mesmo dia.

* Ultima e mais precisamente desde o dia 1 de Junho deste ano que uma das coisas que mais me faz respirar fundo e pensar no ar em que tou a respirar é olhar para a Violeta. Ai é tão bom que nem vos sei explicar e sei que só quem já sentiu o que eu sinto é que percebe o formigueiro nos dedos que é olhar para ela. Fazer vozes estúpidas e caretas incríveis e movimentos extravagantes e ver as reacções que aquele pedacinho de gente tem.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Inutilidade Imediata

"Creio que as coisas importantes começaram por ser ludus e só depois profissão. Isso talvez nos leve a concluir que à frente da história seguem os boémios, os santos e os poetas.

O homem começou pela caça e pela pesca. Levantado do lazer, tudo isso fazia à pressa, para outra vez se entregar ao ócio.

Os mesmos que, na Idade Média, manejavam a alquimia, nas horas vagas, com desfastio e incompreensão, antecederam os grandes combinados da petroquímica e da siderurgia. A técnica, a indústria, o comércio, a religião e as letras, o ensino e a medicina, tiveram os seus alvores numa situação de incompreensão de tipos meio filósofos, meio boémios que «lhes deu para aí». No séc. XIX, o melhor de cada família acabava com um tiro na cabeça, numa corda de enforcado, roído em cirrose pelo absinto, ou minado pelo bacilo de Koch. Tudo foi precedido de uma grande «inutilidade imediata» e só muito mais tarde passou a ser instrumento necessário ao progresso humano, à humana libertação."

in Feira Cabisbaixa Poemas de Alexandre O'Neil,
António Alçada Baptista

quinta-feira, julho 21, 2005

Errata 1

Peço as minhas mais sinceras desculpas pelo lapso ocorrido no post anterior. Afinal o big brother nao terminara naquela vespera do nine-eleven, dia em que eu tinha chegado da tunisia. O inicio oficial do big brother em portugal foi no dia 3 de setembro de 2001, véspera da minha partida para a tunisia. Agradeço a chamada de atenção do Rui Guimarães, que partilha do estatuto de recém-tio, tal como eu!

quarta-feira, julho 20, 2005

o acontecimento q aconteceu


onde estavas no 11 de setembro?

eu lembro-me perfeitamente. foi o início de uma era de terror no ocidente. a queda do imperio americano? o caos e insegurança estabelecidos na europa? a queda economica? mais importante que tudo isso, foi o efeito que teve provocando o nascimento de um novo paradigma de pensamento nos paises ocidentais: o mundo não somos nós.

tinha chegado da tunisia, de ferias no dia anterior. tarde, ja tarde. nesse dia começou oficialmente nao o meu romance, que esse ja existia ha algum tempo, mas sim o que vem com isso.

estava a acabar de almoçar em casa. de repente os meus irmaos desatam aos berros pq estavam a ver na CNN nesse preciso momento - os segundos apos o 1º embate - a noticia. Ainda parecia um acidente casual e lamentavel, até que aparece o meu pai e diz:
- oh! isso sao os do afeganistao! que ja andavam a ameaçar ha algum tempo... ca acidente! peshhh! isto foi tudo pensado!
nós no vai nao vai das filmagens, com os comentarios americanoides do secretismo e honra ao tio sam, acabamos por assistir em directo ao segundo embate. aí foi o escandalo. nao dava para acreditar. eu tive medo, pensei o que seria se acontecesse o mesmo na minha terrinha. somos constantemente bombardeados com a cultura do outro lado do atlantico norte, e essa cultura, que nos é tao proxima, tem fragilidades. pode ser atacada.
liguei logo ao tiago, o meu recente namoradinho:
- ja viste as noticias?!? nao podemos ir para a piscina! vamos para casa da barbara. ha sessao de tv esta tarde... nao podemos perder isto! melhor que uma mega produçao de hollywood!
e pronto. la fomos. vimos as torres a cair passado algum tempo, e foi um dia inesquecível!

Na noite anterior tinha acabado a 1ª serie do big brother. ganhou o ze maria.

quinta-feira, julho 14, 2005

Marco na minha vida: A Joana já é Doutora.

Tudo começou há uns 7 anos. A Sara, aluna exemplar da Escola do Ensino Básico 2+3 de Aldoar (até rima!), ingressa no curso "bem" no Oporto British Council: o objectivo é "to accomplish" o Proficiency in English by Cambridge College. Aqui surge Joana. A loira, alta., elegantemente modelar, de formas perfeitas, e, acima demais, uma promessa para o futuro. Numa so palavra: Boa.
A primeira vez que vi a Sarinha, a pequenina, com os seus engraçados caracóis, com a sua "meninês" tinha uns sapatinhos, com tacaozinho dakeles à mãmã. Eu, Joana, e Maria Luís demos a experimentar á Sarinha.... um café.
Ui! O que aquilo foi! Até a Maria José - a empregada da Sara na altura - reparou na excitação da cafeína, e fez questão de contar aos pais! Devo relembrar desse dia, a música que o marcou: Uma banana, duas bananas, três bananas e são mais bananas; é uma é duas e são três bananas, mas verás uma banana só. Mais tarde, esta musica foi acompanhada de coreografia. Nesse dia também, a sarinha foi assaltada...à naifa! Saiu no Jornal de Notícias que a Maria José comprava diariamente..Mas essa é uma historia que vos contarei mais tarde.
"São três bananas". Esse foi um marco. Pois a Joana e a Sara estavam a terminar o seu 1º ano no British Council, e aproximavam-se as férias de verão. Em que a Joana conhecia o Diogo Lucas. Ui... Isso é que foi!
Nascia uma nova era. A era da menina-adolescente.
As duvidas, as discussoes, o coraçao quente, a inocencia a ser confrontada com a decencia, e as questoes metafisicas colocadas diaramente sobre coisas tao simples como a independencia, a liberdade, o futuro, muitos planos, e no fundo so realizados, mesmo, fisicamente, nos pensamentos que tao fluidamente todos os dias corriam.
Pudica. A menina ingenua perante as injustiças do mundo. Enquanto Sara, a "especial", se acahava especialmente distante de tudo e todos. Uma forma diferente de abordar a adolescencia. E daí o que nascia? Uma troca diferente de visões do mundo entre as duas: a Sara, e a Joana. Nós, que aqui agora nos encontramos.
Fomos até Tróia. Ui! Isso é que foi!
Continua Jófi:Tróia Ai ai... Nem consigo recordar. Mas juro. Eu e a joana andamos à porrada. Eu, Sara, tentei sufocar a Joana com a almofada do quarto! E mandei lhe uma beliscadela à bochecha da traseira, que ela, Joana, ate bateu maleiro.
E nao havia motivo! Era incrivel! Eram so as hormonas a gritar! A adolescencia.
Mas continuaram ate hoje amigas. Entretanto foram ate Barcelona... Ui isso é que foi!
A viagem, so por si, é demasiado importante para ser devidamente descrita. O carnaval em Barcelona. O pegar no mapa, aos 16 e descobrir como chegar a Montjuic. O museu Dali, Picasso, o parque guell, sei la.... A metropole! A aventura! Apolo, deus do Sol. A disco, marada, da festa de carnaval. Refunda. Fez nos ver a outrea face do mundo, sem ainda o sabermos interiorizar. Sem saber o seu siginificado, mas, ainda assim, uma descoberta. Um alargamento de horizontes. Voltar. A Sara vai para o Brasil. Demasiado interior. Uma luta demasiado profunda para ser vivida como menina, do 11º ano, a viajar no Brasil, sozinha, entre casas de familiares desconhecidos espalhados pelo país.
O 12º ano.
Já aqui vamos. Entretanto a zé já se tinha chateado MESMO com toda a gente e já ninguem sabia dela. Estaria em lisboa, fugitiva, com o seu amor desconhecido, algures na distante capital? A Joana acabara os seus anos "face reality, girl!" no carolina michaelis. Nem vos conto mais. Acabou aqui! shiiiiu.
A sara crescia na sua loucura. Ninguem a compreendia. Nem ela mesma conseguia compreender as suas subitas incompreensoes do mundo e de si mesma, diariamente, sincopadamente como as batidas do coraçao.
prosimo capitulo, em breve, algures por aqui. Onde estamos presos ao zero. ao limiar.

sábado, julho 09, 2005

Indecidibilidade: O paradoxo do barbeiro e a conversa sobre o nada.

"O paradoxo do barbeiro é um paradoxo que relaciona lógica matemática e teoria de conjuntos. O paradoxo considera uma aldeia onde um barbeiro faz a barba todos os dias a todos os homens que não se barbeiam a si próprios, e a mais ninguém. Ora tal aldeia não pode existir:

  • Se o barbeiro não se barbeia a si mesmo, então terá de fazer a barba a si mesmo.
  • Se ele se barbear a si mesmo, de acordo com a regra ele não se poderá barbear a si mesmo.

A regra resulta numa situação indecidível.

O paradoxo é atribuído a Bertrand Russell, um matemático britânico que em 1901 elaborou o paradoxo de Russell para demonstrar a natureza auto-contraditória da teoria de conjuntos de Georg Cantor. O paradoxo é também usado no teorema da incompletude de Gödel bem como na prova da indecidibilidade do problema de paragem de Alan Turing."

nuno fradinho says:"falar de nada... sobre o quê?"


sobre que queres falar?
falar sobre nada, porque nada nem ninguém investe tempo suficiente no nada... pobre nada, coitado do nada: sempre quer tudo, apesar de, ironicamente, ser apenas um insignificante nada! mas...
insignificante porquê? todo o oposto antagonicamente simétrico partilha da sua total, completa oposição. ou seja, partilha da TOTALIDADE do seu antagonismo. Tão poderoso, portanto, como o tudo.
pobre tudo... se já não é o mais completo, o que mais nos preenche, deixa de ter significado.
o nada prevalece, em jeito de conclusão.

Falemos, então, de nada!

sábado, julho 02, 2005

é sempre tudo ao mesmo tempo!